Caminhada dos duros na Serra da Estrela - Parte 2

Organização:  OBETA - Orlando Ribeiro Lopes

Quando:  14 e 15/10/2006

Relatório:

 

Caros amigos,


Depois de em Maio deste ano, não termos conseguido terminar devido a vários atrasos, a nossa jornada de aventura na Serra da Estrela (anunciada como “o passeio dos duros”), ficou desde logo combinado, que voltaríamos para completar todo o programa então previsto, e organizado pelo nosso companheiro Orlando Lopes.

Aderiram a esta aventura doze (12) "duros":

- O Orlando e a Maria João, o Jacinto e a Olga, o Guilherme e a Ana, eu, o Paulo Mazzetti, a Maria de Jesus, a Cláudia, o Fernando Gonçalves e o Fernando Luz.

O objectivo era no primeiro dia, caminhar da Torre até ao local de acampamento (apenas a 8 km), montar as tendas, jantar e dormir lá no meio da Serra, e no dia seguinte, fazer uma mega-caminhada até ao Folgozinho (22 Km), para é claro, almoçar no famoso restaurante Albertino.

 

1º dia (Sábado)

Encontrámo-nos quase todos na Estação de Serviço de Aveiras (no quilómetro 46 da A1), por volta das 10.00 H, e dirigimo-nos para a Torre (o ponto mais alto da serra, a cerca de 2000 metros de altitude).

Chegados à Torre, fomos almoçar qualquer coisa, e nem sinal dos dois Fernandos (o Luz e o Gonçalves). Já havia quem afirmasse que eles tinham desistido e nunca tinham saído de Lisboa.
Até que, no fim do almoço, lá apareceram. Tinham-se despachado mais cedo, e tinham ido almoçar a Seia, ao restaurante do Museu do Pão.
Que mauzinhos, heim !

Depois, começou a complicada operação de logística, que consistia em levar os carros só com os condutores, até ao Folgozinho (onde já lá estavam o Guilherme e a Ana), e depois regressar só num carro à Torre.
Toda esta operação sofreu alguns atrasos, entre os quais uma "Chamada ao Gregório" da minha parte

Desta forma começamos o passeio quando o sol já se estava a por no horizonte e por esse motivo tivemos que fazer os 8 km previstos até ao local do acampamento praticamente já na escuridão da noite.

Colocámos as mochilas aos ombros, qualquer uma delas com 10 kg ou mais de peso (por causa das tendas e dos comes-e-bebes), e lá arrancamos, primeiro pela estrada alcatroada, e depois pelo meio do mato.

Já de lanterna ligada, atravessámos pequenos cursos de água, tufos de ervas, e muitas, muitas rochas, sempre guiados pelo GPS do Orlando, o nosso guia. Até que, depois de muito caminhar, deparámos com um precipício!
Lá em baixo, estava o local onde iríamos dormir, um gigantesco buraco, tipo cratera, plana e com um pequeno lago...

Descemos pelo lado mais suave e acampámos mesmo junto aos enormes rochedos.
Uns já com mais experiência, montavam as tendas com destreza, enquanto outros tentavam adivinhar como tudo se encaixava. Finalmente, o acampamento ficou montado, e passámos ao jantar.

Cada um, expôs o que tinha trazido, e todos comeram de tudo. Destaque para o Paulo, que trouxe uns quantos chouriços que assámos numa fogueira improvisada, e para o Jacinto e o Guilherme, que vieram artilhados com a boa pinga...

Terminado o jantar, e apesar do maravilhoso céu estrelado que apelava à contemplação, quase todos nós fomos para as tendas, devido ao frio intenso que se fazia sentir.

Excepção para o Guilherme, da Cláudia e do Paulo, que tanto quanto sei, ficaram até ás tantas da noite, muito animados na conversa (e consta, a beber jurupiga !).
 Nota do WebMaster:  ...E também a cantar alegres canções montanhesas do Tirol...

No entanto poucos foram os que conseguiram dormir alguma coisa, pois o chão duro e principalmente, a ventania que se fez sentir ao longo de toda a noite, não deixaram que a maioria “pregasse olho”.
 Nota do WebMaster:  ...Deviam ter ficado a cantar alegres canções montanhesas connosco! Eu dormi como um bebé quando finalmente me fui deitar. Claro que a pinga também ajudou...

Assim, foi curioso ver a cara do pessoal, quando chegou a hora da alvorada (anunciada pelo Fernando Gonçalves com uns gritos militares), às 6.45 H da manhã, quando ainda era noite...

 

2º dia (Domingo)

Como já referi, acordámos bem cedinho para fazer os 22 Km, a tempo de ir almoçar ao Albertino (com mesa marcada para as 14.30 H).

Posso garantir-vos que foi muito duro, pois tínhamos dormido pouco, estava muito frio, o céu muito nublado, e ainda era noite, mas a motivação era muito forte, e foi um prazer assistir ao nascer do sol (entre as muitas nuvens), enquanto tomávamos o pequeno almoço.

Mais uma vez tenho que destacar o Paulo, o único que se atreveu a ir lavar-se nas águas gélidas do lago.
 Nota do WebMaster:  ...Nada de exageros: Apenas a cara e as mãos...

Entretanto, apanhámos um grande susto, pois o Guilherme contou-nos que tinha torcido um pé. Imaginem o que seria, ali no meio da Serra, se não conseguisse andar, mas o Jacinto aplicou-lhe uma massagem com um creme apropriado que trazia nos seus “primeiros socorros”, e tudo correu bem.
Posto isto, pusemo-nos a caminho, subindo os rochedos, que rodeavam a espécie de cratera onde nos encontrávamos. Mas, à medida que subíamos, íamos sendo rodeados por um nevoeiro intenso, que não nos deixava ver qualquer vislumbre da paisagem.

Andámos, andámos, ora subindo ora descendo, primeiro entre rochas e alguma vegetação rasteira, e mais adiante por uma paisagem desoladora, composta de árvores queimadas por algum incêndio, até que chegámos a barragem do Rossim, onde parámos para descansar e comer qualquer coisa.

Depois prosseguimos, primeiro por uma estrada de alcatrão, e mais tarde, por uma estrada de terra batida. Supostamente neste troço do percurso a paisagem devia ser muito bonita, mas infelizmente nós não conseguíamos ver nada, tal era a intensidade do nevoeiro...
Além disso, fazia muito vento e um frio de rachar!
 Nota do mesmo gajo:  ...Pronto! Temos que voltar a repetir este passeio mais perto do Verão para que possam ver de facto a paisagem...

Continuámos sempre a andar mas o GPS do Orlando ia sempre indicando que continuavam a faltar muitos quilómetros para atingirmos o nosso objectivo; a aldeia do Folgozinho!    ...Esse GPS nunca me convenceu !

Carregados com mochilas que pareciam ficar cada vez mais pesadas á medida que os quilometros se iam sucedendo estávamos a ficar cada vez mais cansados e adivinhava-se que alguém poderia vir a ter algum problema físico a qualquer momento.

E de facto foi o que aconteceu passado algum tempo;
- A nossa amiga Olga teve uma caímbra muito forte na perna!

Foi nessa altura que tivemos que tomar uma decisão; dividir o grupo!
Alguns elementos iriam á frente, não só para ir buscar o automovel que permitisse recolher os mais atrasados, como também para marcar lugar no restaurante, garantindo assim que apesar do atraso, ainda fosse possível almoçar.
Enquanto isso, os restantes elementos prosseguiriam o caminho no ritmo possível.

E assim aconteceu:
- Eu, o Orlando e os dois Fernandos acelerámos o passo a um ritmo louco, chegando mesmo a correr nas descidas. E com muito esforço lá chegámos ao Folgozinho.
O Orlando pegou então no carro para ir recolher os nossos companheiros mais atrasados e nós três ficamos no restaurante Albertino a marcar a mesa.

- Entretanto os restantes elementos, liderados pela Maria João e o Paulo prosseguiram o caminho a um ritmo mais lento.

Algum tempo depois já estávamos de novo todos juntos, reunidos á mesa do Albertino, e a comer as deliciosas entradas de queijo da Serra e morcelas.

Seguiram-se depois os pratos de maior "substância" como a Feijoada de javali, a Cabidela de coelho, o Cabrito à Padeiro, a Vitela assada e, finalmente, o Leitão à Bairrada! - Uma verdadeira festa!

Para sobremesa não faltou o característico requeijão com doce de abóbora, o leite creme caseiro e o delicioso Arroz doce, igualmente caseiro... Depois de um cafézinho para terminar, pagámos a conta que ficou por pessoa (com tudo incluído), imaginem, nos onze euros. Nada mal, heim !

Terminou assim da melhor forma este passeio ao qual se seguiu o regresso a casa.

 

Conclusão

Se é verdade que nem tudo correu bem, e os atrasos continuaram a prejudicar a organização, também é verdade que desta vez o programa foi cumprido na íntegra e o resultado final não pode ter sido outro que não um “happy end”.

Não tivemos de facto grandes paisagens para ver pois no primeiro dia fizemos a maior parte do percurso quase sempre durante a noite e no segundo havia muito nevoeiro. Mas isso contribuiu a meu ver para aumentar o espírito de aventura e adensar o ambiente de mistério e perigo que emana desta serra.

O passeio dos duros desta vez fez jus ao nome e todos (obviamente mais uns que outros), sentiram na pele essa dureza.

No entanto também todos nós, sem excepção, estivemos muito bem e podemos gabar-nos de ter passado este teste e de ter vivido grandes momentos de convívio com a natureza, bem como de sã camaradagem, os quais certamente perdurarão na nossa memória...

 

 Carpe diem,

(Texto de António Campos, com adaptação livre de Paulo Mazzetti)