Aventuras no Gerês/Xurés

Organização:  OBETA - Paulo Mazzetti

Data:  De 17 a 20 de Fevereiro de 2007

Relatório:

 

Caros amigos,


Como já é tradição nesta época de Carnaval, enquanto uns vão ver os desfiles e outros ficam em casa a tremer de frio, os elementos da nossa organização (OBETA), gozaram um Carnaval radical, partindo para novas aventuras na Serra do Gerês e na sua congénere espanhola, o Xurés.
Para quem não saiba, trata-se de uma área que confina com a portuguesa, e que também é parque natural, tendo a designação oficial de “Parque natural do Baixa Limia e Serra do Xurés”.


1º dia (Sábado, 17 de Fevereiro)

Logo de manhã bem cedo, os 11 aventureiros que aderiram a esta iniciativa (o Paulo Mazzetti e a Paula, o Guilherme e a Ana, o Orlando e a Maria João, o Jacinto e a Olga, eu, a Maria de Jesus e a Sara), partiram rumo a Melgaço, onde estava previsto encontrarmo-nos e almoçarmos.

Após o referido repasto, e já com algum atraso, partimos todos juntos para Espanha, para um albergue de montanha (o Albergue de Bangueses), a 15 quilómetros da localidade de Bande, que seria o nosso centro de operações para as aventuras dos dias seguintes.

Após nos instalarmos, partimos para um primeiro percurso pedestre, mas devido a dificuldades em encontrar o local de início do percurso, e dado o adiantado da hora, desistiu-se da ideia, optando-se por um longo passeio na localidade de Celanova, após o que, fomos jantar ali num restaurante.
Posso dizer que tivemos sorte, pois comemos todos muito bem. Depois voltámos ao albergue em Bangueses de Cima e ainda realizmos um passeio digestivo nocturno na localidade.


2º dia (Domingo, 18 de Fevereiro)

Para este dia estava programada uma actividade de rafting no rio Minho. Os que não aderiram a esta actividade iriam fazer um pequeno passeio TT, após o que nos encontraríamos todos para um percurso pedestre.
Assim, levantámo-nos bem cedinho e dirigimo-nos para Melgaço, onde nos equipámos, após o que nos levaram para o local de início do passeio, a barragem espanhola de Frieira, junto à fronteira de São Gregorio, perto de Melgaço.

A dita barragem estava a turbinar intensamente, provocando uma corrente fortíssima, que arrepiou logo os menos experientes nesta actividade.

Depois de ouvirmos as indicações dos monitores, partimos nos rafts (barcos de borracha grandes) e entrámos no rio a toda a força.
Empurrados pela forte corrente, passámos por várias ondas grandes que nos sacudiram violentamente, mas tudo correu bem.

Não voltámos a viver emoções tão intensas, pois o elevado caudal do rio, submergiu a maioria das pequenas quedas de água e as pesqueiras, mas ainda passaríamos por vários pequenos rápidos que deram alguma luta.
Dada a falta de acção no rio, procuramos arranjar divertimento alternativo simulando batalhas entre os vários barcos, atirando água uns aos outros. Nesta parte destacou-se o nosso amigo Jacinto, que chegou a atirar-se em voo contra outro dos barcos, mas infelizmente aterrando na água fria do rio Minho!
Sem mais história, e com a chegada a Melgaço, terminou o nosso passeio.

O grupo voltou a reunir-se todo em Bande, para comer umas sanduíches e ir em seguida para o local de início de um percurso pedestre que estava planeado para esse dia, na aldeia de Queguas.
No entanto, devido a uma divergência acerca do caminho a seguir para lá chegar, divergência essa registada entre os GPS do Orlando e do Paulo, os dois veículos acabaram por se separar, seguindo caminhos diferentes.
Como não havia rede telefónica perto da referida aldeia, acabamos por nos desencontrar.

Assim, eu, o Orlando, a Maria João, o Jacinto, a Maria de Jesus e a Sara, começámos já com bastante atraso, a fazer o percurso pedestre, denominado “Rota de Queguas”, uma caminhada circular de 6,5 Km.

Começou com uma longa subida por um caminho pedregoso e muito difícil, pois havia um pequeno regato a correr pelas pedras abaixo, e tínhamos que ir saltando de pedra em pedra para não nos molharmos.

Foi portanto uma subida lenta, a atrasar-nos ainda mais. Passámos por uma casa em ruínas, e continuámos a subir. Quando chegámos a uma parte mais plana com uma pequena ermida, já era muito tarde e estava a anoitecer. Assim, tivemos que abreviar o passeio e cortar caminho.
Abandonámos os trilhos e entrámos pela vegetação rasteira, rumo a um estradão de terra que encontrámos passado algum tempo. Depois de descermos por este estradão, encontrámos a estada de alcatrão que nos levou de volta á referida aldeia.

Entretanto o Paulo, a Paula, o Guilherme e a Ana, ao chegarem a esta aldeia e não vendo o nosso carro, optaram por fazer outro passeio pedestre mais pequeno ali perto, a rota dos moinhos do rio Vilameá.

Acabamos por nos encontrar todos no Albergue para uma espectacular refeição de cabrito á serrana, preparado pelo proprietário, o sr. Joaquim Vieira, mais a sua esposa, que se revelaram uns excelentes cozinheiros.


3º dia (Segunda, 19 de Fevereiro)

Neste dia, enquanto os mais dorminhocos ficaram na cama a recuperar forças, eu, o Paulo, o Jacinto e a Olga, levantámo-nos bem cedo e fomos fazer o pequeno percurso pedestre, denominado “Rota dos Moinhos do Rio Vilameã”, que o Paulo já tinha feito na véspera, juntamente com a Paula, a Ana e o Guilherme.

Pelo caminho no entanto, ainda visitámos os vestígios arqueológicos de um antigo acampamento romano, denominado “Aquis Querquennis”.

Chegados ao local do passeio, iniciamos o percurso pelo trilho existente que acompanhava nas margens o rio Vilameã.

Este apresentava uma água muito limpa, e algumas pequenas quedas de água de grande beleza.

O ponto forte deste passeio, consistia no entanto, nos muitos moinhos de água, que encontramos pelo caminho, todos devidamente restaurados.  A maioria com telhados de pedra, outros de madeira, e até um com telhado de colmo.

Depois deste pequeno passeio (2 Km), ainda visitámos de carro a ermida do Xurês, que ficando no alto de uma montanha, permite contemplar uma paisagem vasta e de grande beleza.

Dirigimo-nos em seguida para a aldeia de Padrendo, onde nos reunimos com o resto do grupo para realizar um passeio pedestre maior.
No entanto houve pessoas que não foram; a Paula que ficou a corrigir os testes dos seus alunos, e o Guilherme e a Ana, que não tinham vindo bem equipados para enfrentar as condições climatéricas que se faziam sentir nessa tarde.

O passeio, denominado de rota de Padendro, tinha uma extensão de 11 km. Iniciou-se com uma subida íngreme por um trilho de terra, que acompanhava um pequeno regato.

No final da subida fomos encontrar uma zona planaltica , coroada pelos picos da bonita serra de Santa Eufémia.
Tiramos umas fotografias no local e retomamos o percurso.

Um pouco á frente paramos novamente para comer uma sandocha numa zona que constituía um belo mirador sobre o vale situado em baixo.
Terminada a refeição retomamos o caminho que descia em direcção ao referido vale.
Entretanto começou a chover, e tivemos que vestir os impermeáveis.
Estávamos bem preparados para essa eventualidade, mas a chuva nunca mais pararia, tendo-nos acompanhado ao longo de todo o restante percurso.

De vez em quando, o Paulo ou o Orlando ficavam para trás para tirar umas fotos ou ver as indicações dos GPS, e foi por esse motivo que o Orlando, apesar de toda a tecnologia, distraiu-se e acabou por se perder do resto do grupo. Contactado por telemóvel, descobrimos que tinha ido parar à aldeia de Torneiros.

Entretanto nós continuámos seguindo as marcas assinaladas no percurso e passado algum tempo deparámo-nos com uma situação inédita! O caminho era totalmente cortado por um manto espesso formado por arbustos de mimosas.
Com o Jacinto e a Olga à frente mergulhámos naquele mar de plantas, que estavam carregadinhas de água da chuva. Por esse motivo, quem não levava calças e blusão impermeáveis, acabou por ficar todo molhado.

Já quase na parte final do passeio atravessamos uma zona rochosa no meio do bosque onde podemos observar a existência de diversas grutas que poderiam ter sido usadas em tempos antigos para guardar víveres ou mesmo servir de habitação.
Atingindo o local onde tínhamos deixado os automóveis, encontramo-nos de novo com o Orlando.

De regresso ao albergue, jantámos mais uma excelente refeição, desta vez de javali, de tal forma opulenta que parecia que estavamos noutro tempo, participando num banquete feito num antigo castelo medieval...


4º dia (Terça, 20 de Fevereiro)

Acordámos de novo com mau tempo, o que desanimou um pouco o pessoal.
Tomámos o pequeno-almoço, arrumámos tudo nos carros, e feitas as contas do alojamento e das refeições, zarpámos.  Eu, sabendo que me esperava uma viagem de 5 horas e não queria guiar de noite, decidi regressar mais cedo.

Os restantes elementos partiram para Pitões das Júnias para realizar mais um passeio pedestre.

Quando eles chegaram ao local o tempo já tinha de novo melhorado.
O passeio consistiu primeiro na visita á famosa cascata de Pitões.

Perto, alguns elementos do grupo ainda aproveitaram a oportunidade para tentar descobrir mais uma geocache, o que de facto conseguiram!

Após esta descoberta o grupo foi visitar as ruínas do belíssimo convento de Santa Maria das Júnias.

Este antiquíssimo edifício religioso parece ter sido fundado no séc. IX, pertencendo então à Ordem Beneditina.
A atestar antiguidade do edifício está a inscrição gravada na face exterior do muro da igreja que delimita o cemitério, junto à porta lateral: ERA: MCLXXXV.

Assim, o ano de 1147 será a data provável da fundação deste mosteiro.

E foi precisamente nesse ano que D. Pedro de Pitões, um dos principais impulsionadores da conquista de Lisboa aos mouros, foi ordenado bispo do Porto neste mosteiro.

A partir do sec. XII, ou XIII, os monges aderiram à Ordem de Cister e o mosteiro uniu-se ao de Santa Maria do Bouro.

A presença de abades espanhóis, durante as guerras entre Portugal e Espanha foi causa de bastantes conflitos neste local.
O último monge de Cister tornou-se o pároco da aldeia de Pitões das Júnias, em 1834, data da extinção das Ordens Religiosas em Portugal.

Após a visita a este local que remonta ás origens da nacionalidade rumámos de novo para Pitões das Júnias a fim de almoçar no restaurante “Casa do Preto”, um ex-libris da região.  Infelizmente pudemos verificar que apesar das novas instalações a qualidade da ementa já não é o foi em tempos...


Conclusão

Podemos dizer que o saldo deste evento foi muito positivo pois, graças ás caminhadas e aos passeios, ficámos a conhecer um pouco o Gerês espanhol (o Xurés). No entanto muito ficou ainda por ver, muitos passeios e rotas por fazer... Mas esse é sempre um optimo pretexto para voltar a esta bela região!
Descobrimos também um albergue de montanha muito bom em Bangueses - terra espanhola situada logo a seguir à fronteira de São Gregorio - e onde ficamos alojados tendo sido muito bem recebidos pelo seu proprietário, o sr. Joaquim Vieira.

A parte gastronómica deste passeio também foi muito boa, tendo havido a oportunidade de saborear diversos petiscos como o cabrito serrano e o javali.

O convívio foi muito agradável, mas há alguns pontos da organização que ainda importa corrigir em futuros eventos, já que por diversas ocasiões o grupo se separou.
( Nota do WebMaster:  é o que acontece inevitavelmente quando as pessoas envolvidas têm diferentes interesses e perseguem distintos objectivos...)

O percurso de barco no rio Minho foi igualmente bastante agradável e conseguimos superar muito bem as adversidades causadas pelo mau tempo.
Posso dizer que ficou muito para ver e há vontade de voltar para novas aventuras.

Viva o Carnaval radical !

Viva a OBETA !

 

 Saudações radicais

         António Campos

 

 

 

(Texto de António Campos livremente adaptado por Paulo Mazzetti)