Caminhada sobre o antigo ramal ferroviário de Montemor-o-Novo

Organização:  Obeta - Paulo Mazzetti

Data:  28 de Outubro de 2007

Local:Alentejo, Montemor-o-Novo

Relatório:

 


Caros amigos,


Aproveitando da melhor maneira, o espectacular dia de sol que se fez sentir no Domingo, 28 de Outubro, eu – António Campos, o Paulo, a Paula Afonso, o António José, a Paula Santos, o Manuel Oliveira e os filhos deste, Cecília e Manuel, fomos até ao Alentejo para realizar um passeio pedestre sobre uma antiga via férrea abandonada, o ramal de Montemor-o-Novo, o qual está actualmente prestes a ser transformado numa eco-via.


Após o encontro em de todo o grupo na estação ferroviária da Torre da Gadanha , demos início aquele que se veio a revelar ser um dos passeios mais fáceis da história da OBETA; uma caminhada praticamente sem desníveis, numa distância total de 12 km , realizado entre esta pequena aldeia e a cidade de Montemor-o-novo.

O itinerário deste passeio segue sempre o antigo troço da linha de caminho de ferro abandonada, da qual já poucos ou nenhuns vestígios existem presentemente.

O caminho, feito principalmente em terra batida, revelou-se fácil e plano.
Apenas o sol no zénite incomodava um pouco, mas como havia algum vento, a temperatura mantinha-se agradável.

A paisagem observada era essencialmente aquela que o Alentejo nos habituou; planície com muitos sobreiros, pontilhada aqui e ali por alguns montes alentejanos, uns mais típicos que outros.



Á medida que o tempo passava, o grupo ia-se fragmentando consoante os ritmos de caminhada de cada um. No entanto, realizavam-se regularmente diversas paragens que permitiam o reagrupamento.

Por volta do quilómetro oito a envolvência paisagística alterou-se com a aproximação a um pequeno apeadeiro abandonado, junto à aldeia de Paião.
Aqui parámos para descansar e comer qualquer coisa no café da aldeia. O petisco local servido foi um prato de frango frito no forno, que por sinal estava bastante saboroso... Para além disso comemos também o que levávamos nas nossas mochilas.
Tudo acompanhado com sumos, água e algumas cervejitas.

Para rematar, uns cafezitos vieram quebrar a sonolência que já se começava a instalar no seio do grupo. Acompanhados de uns deliciosos bombons que a Paula e o Manuel levavam e amavelmente ofereceram ao resto do pessoal, souberam realmente muito bem e permitiram levantar o moral.


Após esta pequena refeição retomámos a caminhada, e a partir desse ponto pudemos de facto verificar que a paisagem e o caminho iam gradualmente mudando.
Notava-se um incremento na vegetação, especialmente árvores de grande porte, o que proporcionava mais sombra e tornava a jornada mais agradável.

Como contraponto a este cenário assinalava-se a presença de gravilha durante alguns troços do caminho, material que não é de facto o melhor para calcorrear...

Durante esta segunda parte do passeio tivemos oportunidade de observar diversos animais; alguns de pasto, tais como bois, ovelhas, mas para além disso muita passarada, alguns coelhos e diversos cães que, nas pequenas propriedades debruçadas sobre o caminho, ladravam à nossa passagem.


Um dos pontos mais interessantes deste passeio foi sem duvida a passagem sobre a velha ponte ferroviária que atravessa o rio Almansor, quase á entrada de Montemor-o-Novo. Esta ponte está abandonada e sem qualquer manutenção desde que este ramal ferroviário foi encerrado em 1987, de modo que a sua travessia constituía por si só uma pequena aventura !

O cenário era este; a meio do tabuleiro situavam-se os carris enferrujados, assentes sobre as velhas traves de madeira, por sua vez suportadas apenas pela estrutura metálica da ponte!  
Nem pensar em atravessar por aí visto que nos intervalos das travessas não havia nada a não ser o vazio que proporcionaria com certeza uma boa queda de vários dezenas de metros de altura sobre o rio, ao incauto que colocasse um pé em falso…

De cada lado do carril central existia uma pequena passagem feita de delgadas lajes de pedra, elas também assentes sobre a estrutura metálica da ponte.
A separar-nos da queda no abismo apenas um frágil corrimão metálico, ele também carcomido pela ferrugem depositada pelo tempo!

O cenário á "Indiana Jones" estava pois completo !

Mas não foi por isso que nos deixamos intimidar. Tanto assim que, após tirar-mos umas fotos á entrada da ponte, resolvemos avançar com o Paulo á frente a abrir o caminho
(e dessa forma a demonstrar que, se a ponte não cedia com o peso dele, então aguentaria decerto com o peso de qualquer um dos restantes elementos do grupo…).

No entanto o optimismo do Paulo não era partilhado por toda a gente. Alguns elementos estavam de facto um pouco nervosos á medida que prosseguiam a travessia da ponte.

Foi o caso da Paula Santos por exemplo que estranhamente se manteve muito silenciosa durante toda a travessia (viemos depois a saber pela própria que fez todo o percurso em cima da ponte a olhar sempre para a frente, de modo a evitar deliberadamente aperceber-se da altura a que se encontrava sobre o rio…).


Mas felizmente tudo correu bem, e em breve estávamos a chegar ao edifício abandonada da velha estação ferroviária de Montemor-o-Novo, o ponto final da nossa jornada.

Após tirarmos as fotos da praxe junto ao mesmo edifício, rumamos então para um restaurante-cervejaria na cidade – o “rei das bifanas” onde há boa maneira “Obeta” terminamos em beleza este passeio comendo umas deliciosas bifanas que sem duvida fizeram justiça ao nome da casa!


 

Saudações radicais

         António Campos

 

 

 

(Textos de António Campos adaptado e comentado por Paulo Mazzetti)