Caminhada sobre o antigo ramal ferroviário de Vila Viçosa, entre Évoramonte e Estremoz

Organização:  Obeta - Paulo Mazzetti

Data:  16 de Dezembro de 2007

Local:  Alentejo, região entre Evoramonte e Estremoz

Relatório:

 


Caros amigos,


Para o último passeio de 2007, e na continuação de outros passeios sobre o tema “Por trilhos abandonados”, voltámos ao Alentejo para realizar mais uma caminhada sobre um antigo troço de linha ferroviária, já desactivado. Desta vez o itinerário escolhido foi o antigo ramal de Estremoz, mais precisamente o troço compreendido entre Evoramonte e Estremoz, para um total previsto de 16 Km.

Alinharam neste passeio, seis “Obetistas” (o Paulo Mazzetti, a Paula Afonso, o Tozé, eu, o Manuel e a Paula Santos), e dez “Ritualistas”, perfazendo um total de 15 pessoas.

Encontramo-nos todos em Estremoz, onde deixámos 3 carros, seguindo nos restantes para o ponto de partida do passeio, a lindíssima vila de Evoramonte, onde ainda visitámos o seu famoso castelo

Iniciámos o passeio pedestre, descendo primeiro pela estrada de alcatrão que dá acesso á zona histórica do castelo e depois por um trilho de terra extremamente inclinado, até chegar a uma nova estrada de alcatrão que percorremos durante alguns quilómetros. Já de volta aos trilhos de terra batida, passámos por vários montes alentejanos, onde pudemos observar muitas ovelhas, e diversos cordeirinhos que despertaram de imediato a atenção, especialmente entre as hostes femininas do grupo!

Após a curta pausa, retomámos o caminho, desta vez seguindo sempre o traçado da linha-férrea, na direcção de Estremoz.

Sempre que possível, seguíamos por trilhos paralelos à linha, mas quando eles não existiam éramos forçados a caminhar pelo meio da via.

Ora isto de caminhar por cima de uma ferrovia tem a sua técnica!
É necessário ajustar o comprimento da passada á distancia entre as travessas, de modo a que os pés caminhem de travessa em travessa. Desta forma evita-se o contacto com a brita que, quando prolongado, acaba por macerar a planta dos pés.

Este andar a um ritmo não natural torna-se em pouco tempo cansativo porque obriga a uma atenção quase constante de forma a acertar com os pés nas travessas.

Após algum tempo a caminhar usando esta técnica verificamos que á nossa direita ainda aparecia bem destacado no horizonte a silhueta do castelo de Evoramonte.
Isto significava não só que a progressão não era tão rápida como desejávamos mas também que o encontro com a linha se tinha dado num ponto anterior ao previsto no mapa, o que aumentava a distancia a percorrer para chegar a Estremoz!
Mas não desmoralizamos e apesar da tarde já ir adiantada, lá prosseguimos a nossa jornada.

De vez quando atravessávamos algumas pequenas pontes ferroviárias, que cruzavam pequenas e bonitas ribeiras.
Destas a mais espectacular foi sem duvida a que permitiu transpor a ribeira de Tera, por ser a mais comprida e alta neste troço.
Foi também junto a esta ponte que nos voltamos a reunir com um grupo de Ritualistas que entretanto tinha abandonado o pelotão para prosseguir a sua caminhada por outros caminhos alternativos, procurando evitar a linha-férrea.
A partir deste ponto passamos então a seguir todos juntos.

Ao longo da nossa caminhada ainda tivemos a oportunidade de observar diversos ninhos de cegonhas encavalitados no cimo de poste, ninhos que infelizmente nesta altura do ano não tinham ocupação porque as cegonhas no Inverno buscam paragens mais quentes.


Percorremos assim vários quilómetros quase sempre por cima da Linha de caminho de ferro, devido á quase inexistência de troços alternativos

Finalmente, quando já começava a anoitecer, chegamos a um local em que a linha passava a acompanhar a estrada N4 que segue para Estremoz.

Como entretanto já tínhamos percorrido 18 km e alguns dos participantes já acusavam alguma fadiga, optámos por prosseguir a caminhada pela estrada a partir daquele ponto, abandonando de vez a antiga linha do comboio.

Uns quilómetros mais adiante na estrada, já com 22 km percorridos e Estremoz á vista, atingimos uma Bomba de Gasolina que tinha um café aberto.
Decidiu-se então que o pessoal mais cansado ficaria por ali, enquanto os condutores e os participantes que não queriam ficar à espera, fariam o restante caminho até ao centro de Estremoz, para ir buscar os automóveis que de manhã lá tinham ficado estacionados.


Para aqueles que ainda fizeram essa caminhada adicional, foram mais 4 km com algum sacrifício visto que os pés já doíam um pouco.
Mas finalmente atingimos o objectivo proposto e lá conseguimos resgatar os nossos carros e irmos ao encontro do restante pessoal que estava á nossa espera na bomba de gasolina.
Depois da reunião fizemo-nos de novo ao caminho para ir buscar os restantes veículos que tinham ficado no ponto de partida do passeio, em Évoramonte.

Dada a grande distância percorrida neste passeio (quase 26 quilómetros), queria aqui realçar e deixar bem claro que todos os participantes se portaram lindamente, suportando de forma notável (obviamente com mais ou menos dificuldade) a dureza inesperada e imprevista deste passeio.

A aventura terminou da melhor maneira em Évoramonte, onde depois de nos despedirmos do pessoal que entretanto estava com mais pressa de voltar para casa (a hora já ia adiantada…), ainda jantámos magnificamente no restaurante “Convenção” junto ao castelo da vila.

 

Saudações radicais

         António Campos

 

 

 

(Textos de António Campos adaptado e comentado por Paulo Mazzetti)