Descida do rio Erges em kayak

Data: 6 de Abril de 2008

Organização:  Câmara Municipal de Idanha-a-Nova, Ayuntamiento de Zarza La Mayor entre outras entidades

Local: Entre as Termas de Monfortinho e SalvaTerra do Extremo, na Beira Baixa


Relatório:

 

Caros amigos,


Após um longo período sem actividades de canoagem, regressámos este fim-de-semana a este belo desporto, para participarmos na Descida internacional do Rio Erges em kayac, que começava nas Termas de Monfortinho e acabava em Salvaterra do Extremo, numa distancia total de 25 km.
Participaram perto de 170 canonistas, entre Portugueses e Espanhóis.


Sábado, 5 de Abril 2008:

Convivio dos participantes no pavilhão desportivo de Zarza La Mayor

Ainda no Sábado, eu, o Paulo e a Paula, partimos para as Termas de Monfortinho - onde fomos primeiro deixar as malas na Residencial onde íamos pernoitar - para depois nos dirigimos a Zarza La Mayor (Espanha), onde havia uma recepção aos participantes, com um beberete e uns “pinchos”.

Contudo, antes ainda fizemos um pequeno passeio a pé por esta pequena vila, de que destaco a igreja feita de grandes pedras graníticas e cheia de ninhos de cegonhas lá no alto.

Depois dos petiscos, regressámos a Monfortinho para jantarmos, e após um breve passeio digestivo, fomos para a Residencial, pois tínhamos que nos levantar bem cedo no dia seguinte.


Domingo, 6 de Abril 2008:

Partida da ponte sobre o Erges, nas Termas de Monfortinho

Tomado o pequeno-almoço, equipámo-nos, e dirigimo-nos para a ponte internacional sobre o rio Erges, a qual une Portugal e Espanha.
Quando chegamos já lá estava a organização e os kayacs preparados para a descida.
O rio estava com pouca água, pelo que se adivinhavam problemas.

Quanto a nós, o Paulo e a Paula começaram o passeio num kayac bilugar (pesadão e sem apoio para as costas), e eu comecei num kayac monolugar enorme (quase tão grande quanto o bilugar).

Dada a enorme confusão, nós e muitos outros participantes, optamos por não esperar pelo sinal de partida oficial (se é que existiu), dando logo início à descida.
Cumprido o primeiro troço do rio, que era largo e não apresentava grandes problemas, atingimos uma zona mais estreita e com curvas, onde encalharam os primeiros kayacs, estabelecendo-se logo uma certa confusão.

Passada esta parte, veio mais um troço a direito e com água suficiente para as embarcações passarem sem problemas. No entanto, pouco tempo depois chegávamos a uma zona com uns pequenos rápidos, mas infelizmente quase sem água e cheios de pedras. Neste local os kayacs bilugares começaram a acusar o seu excesso de peso já que todos encalharam.

Várias tecnicas para desencalhar o kayak...

Infelizmente veio a verificar-se que o resto do passeio seria quase todo assim!  Algumas zonas do rio onde se conseguia navegar apesar da pouca agua, alternando com outras em que sucediam os “encalhanços”…
Por vezes surgiam alguns pequenos rápidos em zonas com muitas rochas e que ainda apresentavam alguma agua, obrigando os participantes a fazer autênticos “slaloms”, para evitar os obstáculos, o que até conferia algum gozo.
No entanto, na maioria das vezes encalhava-se e lá se tinha que sair do barco e empurrá-lo a pé.
Alguns participantes preferiam manter-se dentro do barco e usar as pagaias como alavancas para impulsionar o kayak sobre o fundo lodoso...

Um pouco antes do meio do passeio, eu e o Paulo trocamos de barcos passando eu a ir no duplo com a Paula. O objectivo era tentar distribuir melhor o peso, evitando os “encalhanços” sucessivos.

A meio do trajecto realizou-se uma paragem para reabastecimento.
Depois da ingestão de uma sandocha e de uma bebida, lá prosseguimos, mais ou menos na mesma atoada, isto é, com muitos e sucessivos “encalhanços”.

Mas á medida que o tempo ia passando o corpo ia acusando o esforço e o cansaço acumulava-se devido ás sucessivas manobras para empurrar e desencalhar os barcos e ultrapassar rochas e outros obstáculos.
Para além disso o esforço de remar sem qualquer apoio dorsal ou lombar também contribuía para esse aumento do esforço.

Descendo a cascata...

A certa altura alcançamos uma pequena queda de água de 1,5 m com muitas rochas. Como o espaço entre estas era bastante exíguo, eu e a Paula optámos por não tentar desce-la no kayak.
Assim, a Paula venceu o obstáculo caminhando pela margem esquerda, enquanto eu a atravessei por cima das rochas e na parte final nadei um pouco no meio do rio.

O Paulo tentou fazer a queda de agua no kayak mas também não teve sorte, acabando por ficar encalhado entre os rochedos.

Ultrapassado este problema lá prosseguimos rio abaixo. E quando o prazer já tinha dado lugar ao sacrifício devido ao cansaço acumulado de várias horas, lá avistámos finalmente a povoação de Salvaterra do Extremo, o ponto final desta jornada atribulada.

O evento terminou no entanto da melhor maneira, com uma churrascada à beira rio, oferecida pela Câmara Municipal de Idanha-a-Nova.

Um passeio que francamente não tencionamos repetir, a não ser que garantidamente haja um caudal muito maior no rio da próxima vez.

 

Saudações radicais

         António Campos

 

 

 

(Texto de António Campos adaptado e comentado por Paulo Mazzetti)