Aventuras no Parque Natural de Somiedo, nas Astúrias (Espanha)

Organização:  Obeta

Data: 9 a 12 de Abril de 2009

Local: Parque Natural de Somiedo e região do Caminho Real de La Mesa (Sudoeste de Oviedo), Asturias

Relatório:

 


Caros amigos,


Aproveitando os feriados da Páscoa, estivemos desta vez no Parque Natural de Somiedo, a Sudoeste da cidade de Oviedo, nas Astúrias (Espanha), para 3 dias de grande aventuras, enfim, uma espécie de Páscoa radical!

Esta ideia nasceu de uma visita que o Paulo e a Paula fizeram há 2 anos a esta região, e tendo ficado encantados com o que viram, e havendo muito para ver ainda, logo decidiram voltar lá um dia, organizando mais um grande evento OBETA.

Alinharam nesta aventura, para além do Paulo e da Paula, eu, o Jacinto e a Olga, o Carlos Mazzetti, e o Siggi.
Uns partiram na Quarta-feira depois do trabalho, indo dormir a Chaves, enquanto outros só puderam iniciar viagem no dia seguinte.


1º dia (Quinta-feira, 9 de Abril de 2009)

Após uma viagem sem grande história, chegámos ao princípio da tarde à pequena vila de Pola de Somiedo, situada num Parque Natural cheio de belas montanhas.

Ainda sem o Jacinto e a Olga, fomos até ao Turismo buscar mapas, e depois até uma tasca nas proximidades, onde mandamos vir para o almoço uma tábua de presuntos e queijos variados que degustamos acompanhadas de umas cervejolas.
Seguidamente deslocámo-nos até ao local onde começava o percurso pedestre do Lago do Valle, situado na aldeia do mesmo nome, onde nos equipámos, dando início à longa mas não muito difícil subida até este lago (seis km para lá, e mais seis para o retorno).


Estava um pouco frio mas nada de especial (cerca de 7º), e lá fomos sempre subindo, avistando ao longe as montanhas com neve no cimo.
Passado um pouco, veio a chuva. Muita chuva ! A qual, a partir de certa altura se transformou em neve.
Há medida que íamos ganhando altura a presença da neve tornava-se mais frequente, o que dificultava a subida.
Finalmente atingimos o lago represado que, para nossa surpresa, estava parcialmente coberto por uma camada de gelo!

Neste local soprava um vento forte e gelado, que nos fez recuar. O grupo dividiu-se então em dois: eu, a Paula (enregelados) e o Siggi (preocupado com o estado da neve) descemos imediatamente e voltámos pelo mesmo caminho, enquanto que o Paulo e o Carlos ficaram para trás para tentar contornar o lago.
Em breve estávamos todos de volta à vila de Vale do Lago, de onde partimos para San Martin, local onde se situava o Albergue onde iríamos ficar alojados nos próximos dias.


Já no albergue verificamos que o nosso alojamento era uma camarata com beliches duplos e colchões vazios, ao estilo tipo tropa!
A casa de banho também era do mesmo tipo. Por mais alguns euros, podia-se ter um cobertor e lençóis, ou então dormir no saco-cama, por cima do colchão.
Tudo muito espartano, mas relativamente barato! Enfim, sem mais comentários !

Como já era muito tarde, jantámos no albergue, diga-se por especial favor do administrador do albergue, dado que não tinhamos nada marcado e já ter passado bastante da hora de jantar.
Ainda apanhámos um susto, julgando que nos iam servir apenas uma sopa, mas lá veio depois mais comida e ficámos aliviados. Uma refeição simples, mas razoável.
Seguidamente fomos até uma tasca onde bebemos uma pequena bebida digestiva, a qual não me atrevo a escrever o nome. Entretanto chegaram o Jacinto e a Olga, muito animados e divertidos como sempre.


2º dia (Sexta-Feira, 10 de Abril de 2009)

Apesar de as nossas instalações serem muito modestas, o nosso despertar foi de luxo, já que acordamos com os acordes e as vozes de uma conhecida peça musical - o "fantasma da Opera". Esta acção foi obra do “despertador” do Jacinto (uma pequena aparelhagem que trouxe com ele)!
Levantamo-nos e tomámos um pequeno-almoço insólito, pois em vez de pão, o nosso albergue servia apenas bolachas Maria e uns queques minúsculos para acompanhar o leite! Uma verdadeira miséria Franciscana!

O objectivo para este dia seria fazer um passeio de BTT numa antiga linha-férrea, há muito desactivada e devidamente preparada para caminhadas e passeios de bicicleta.
Apelidada de "Senda do Urso”, este circuíto está perfeitamente integrado nas denominadas "Vias Verdes", o enorme conjunto de linha de ciclovias que a Espanha possui por todo o seu território, o qual envergonha os poucos e reduzidos troços que por aqui possuímos.
A distancia a fazer seria de aproximadamente 20 + 20 km (ida e retornno). Como planeado dirigimo-nos para um centro de BTT, em Tuñon, situado junto á Ciclovia, onde já tinhamos reservado bicicletas, evitando deste modo a estafa de as ter de transportar desde Portugal.
A Paula e a Olga acompanharam-nos ao local, mas acabaram por não alinhar neste passeio, tendo ido trabalhar nos computadores portáteis que haviam trazido com elas.

Íniciamos então o passeio passando por uma ponte sobre o rio Teverga, o qual possuía muita corrente e alguns pequenos rápidos.
O caminho era sempre à beira do rio, e muitas vezes escavado na rocha. De vez em quando passávamos por túneis, uns maiores com iluminação, outros mais pequenos.
Apesar de ser sempre a subir, o esforço não era muito grande, pois a inclinação não era muita, e as bicicletas tinham mudanças e estavam bem afinadas. Após muito dar ao pedal, com muitas paragens para tirar fotos, ou beber água e comer umas barrinhas, lá chegámos ao final da primeira parte, ou seja de volta a San Martin.

Após comermos umas sandochas de presunto e umas cervejolas, já na companhia da Paula e da Olga, montámos de novo as bicicletas, para fazer opercurso de regresso, o qual era maís facil por ser sempre a descer.
Entretanto começou a chover bastante, uma chuva gelada e miudinha, pelo que demos início à descida a toda a velocidade, especialmente o Jacinto que só voltamos a ver no ponto de chegada, o mesmo da partida; o centro BTT em Tuñon. Paramos ainda algumas vezes para reagrupar e apreciar a paisagem.

Em breve atingimos o final da senda e como estavamos ainda em boa condição fisíca, resolvemos prosseguir por mais alguns quilometros usando agora uma outra senda, contigua à do Urso; a Senda Verde.
Esta via também era muito bonita, já que acompanhava o rio Trúbia. Só parámos 7 km depois, já na localidade de Trubia.
Esta via ainda continuava, mas decidimos que estava na hora do regresso, pelo que demos meia demos meia-volta regressando por uma variante, tendo chegado ao Centro de BTT pouco tempo depois.

Após a realização deste passeio, o qual durou boa parte do dia, regressámos então ao albergue, para tomar banho e prepararmo-nos para o jantar, o qual ocorreu num pequeno restaurante da vila.


A refeição foi optima e toda a comida estava saborosa e foi muito bem servida. Claro que entre os vários pratos experimentados não podia faltar a famosa "favada" asturiana, uma especie de feijoada à moda serrana das Astúrias!
Também os licores e bebidas trazidas pelo Jacinto constituíram um optimo digestívo e revelaram ser um optimo complemento á refeição!


3º dia (Sábado, 11 de Abril de 2009)

Para este dia estava programado outro passeio pedestre emocionante, uma caminhada no Desfiladeiro de Xanas, perto de Tunõn, o mesmo sitio onde no dia anterior iniciamos e terminámos o passeio de BTT na senda do urso.

Chegando ao local, começámos a subir pela estrada alcatroada até atingir-mos o ponto da montanha onde o trilho começava. Este seguia então por um desfiladeiro imponente, alto e estreito.
O caminho, escavado literalmente na rocha, seguia a meia altura do desfiladeiro. Lá em baixo via-se o rio, cheio de rápidos e pequenas quedas de água.
Só visto, não dá para descrever ! Impressionante !


Algums quilometros adiante o caminho deixa o desfiladeiro e penetra num vale com um rio de águas transparentes, muito agradável.

Chegamos então a uma birfucação onde tomamos o caminho que nos levou a aldeia de Pedroveya, situada num vale rodeado por montanhas de um verde viçoso.
Após descansarmos um pouco nesse local aproveitando para tirar algumas fotos, iniciamos o caminho de regresso.

Entretanto o Carlos, que tinha tropecado de manhã nas escadas do Albergue, começou a sentir grandes dificuldades no joelho que tinha ficado maltratado em consequência da queda e que entretanto havia inchado muito.
Mas com ajuda de algumas pomadas do kit de 1º socorros do Jacinto, lá consegiu seguir valentemente o caminho connosco !

Finalmente, voltámos ao ponto onde estavam os carros, e após comermos uma sandocha num bar ali perto, ocupamos o resto da tarde com um longo passeio de automóvel pela região (caminho Real de “La Mesa”), tendo a oportunidade de observar ao longo da viagem diversas paisagens belíssimas de cortar o fôlego.

Ao fim da tarde, já de regresso ao albergue, atingimos um dos pontos mais altos da região, a porta de San Lorenzo, onde avistávamos alguma neve. Parámos nesse local e saímos dos carros caminhando na sua direcção.
Claro que o frio apertava, mas a paisagem valia a pena. Alguns raios do sol de fim de tarde timidamente conseguiam ultrapassar a barreira de nuvens, banhando de luz dourada as montanhas ao nosso redor.
O ambiente era mágico!

E foi nessa altura que, ao aproximarmo-nos de uma pequena cabana de madeira no meio da montanha, o Jacinto que até aí carregava ás costas uma grande e misteriosa mochila, resolveu logo ali improvisar um pequeno “bar”, sacando de dentro da mesma diversas latas de cerveja, bem como alguns acompanhamentos; amendoins e cajus ! Inacreditável !
Claro que não nos fizemos rogados e naquele local, no meio da montanha, brindamos á nossa saúde e ao espírito do grupo!

Após este petisco inédito, voltámos então ao Albergue onde jantámos. Em seguida a maioria do pessoal resolveu ir dar uma volta pelas redondezas mas eu e o Carlos ficámos no alojamento a fazer a malas pois queríamos partir no dia seguinte de manhã, logo bem cedinho.
Já ambos dormíamos bem quando o Carlos foi despertado pelo barulho de alguém a bater na janela da camarata. Era o pessoal restante que regressava, e tendo encontrado a porta de acesso ao nosso alojamento já fechada, não teve outro remédio senão entrar pela janela. Incrível !


4º dia (Domingo, 12 de Abril de 2009)

Eu e o Carlos levantámo-nos bem cedo e após sairmos do albergue, partimos guiados pelo GPS, o qual nos indicava o percurso mais curto.
Este seguia por uma estrada de montanha em direcção a Puerto de Ventana (1.587 m). Em breve tudo começava a ficar branco devido á presença da neve.
A estrada, apesar de coberta por uma pequena camada de gelo, apresentava dois grandes sulcos no alcatrão, pelos quais seguíamos sem problemas de tracção.
A dada altura a neve começou a cair e o Carlos hesitou - deveríamos voltar para trás ?

Decidimos prosseguir mas combinamos que - assim que o carro começasse a ter algum problema de tracção - Interromperíamos a marcha e faríamos meia volta. Grande erro!
Continuámos assim a subir e a neve caía com mais intensidade. A certa altura decidimos que não era mais seguro continuar e que o melhor a fazer era voltar para trás e tentar um outro caminho.
Mas a estrada era demasiado estreita e nos seus extremos, a neve já se acumulava em razoável quantidade.


Avançamos mais umas centenas de metros para procurar um local melhor para a meia volta, e ... descobrimos que já estávamos em sarilhos!
O carro já patinava e o Carlos não o conseguia dominar!
Ficámos então parados no meio da estrada. Lá fora nevava imenso!
O Carlos tentou telefonar a pedir socorro mas a chamada estava sempre a cair! Parecia que não havia rede.

Fui então à mala do carro, equipei-me e preparei-me para fazer os cinco km que nos separavam da última pequena localidade por onde havíamos passado. Mas nesse momento, à terceira tentativa, a chamada aguentou-se e pedimos então ajuda ao Paulo que tinha vindo na sua Pick-Up para as Astúrias.
Ao fim de uma hora, o Paulo aparece no seu carro, acompanhado pela Paula e pelo Siggi.
Com a ajuda deles, de várias pás improvisadas e dos sulcos criados na neve pelos pneus largos da pick-up conseguiu-se que o carro ganhasse de novo aderência ao piso, desse a volta e regressasse pelo mesmo caminho, seguindo lentamente os trilhos criados pela pick-up. Estávamos safos !

De regresso a Sam Martin, o local onde tínhamos estado a pernoitar, tomámos juntos o pequeno-almoço, sem a presença do Jacinto e da Olga, que entretanto já tinham iniciado a viagem de regresso após saberem que tudo tinha corrido bem.
Tal como eles encetamos então o regresso a casa, tomando um caminho mais longo, mas mais seguro.


Conclusão

Foram uns dias muito bem passados, cheios de aventuras e peripécias.
Todos nós ficamos encantados com a beleza desta região, extremamente verde, cheia de belas montanhas, rios de águas rápidas e cristalinas, vales e desfiladeiros escarpados.
Sem dúvida uma região a voltar com muita coisa ainda por explorar !
O tempo infelizmente não colaborou muito, já que em algumas ocasiões os aguaceiros manifestaram-se. Mas como de uma maneira geral íamos bem preparados, não deixámos de fazer nenhum dos passeios planeados nem sequer consentimos que o estado do tempo nos desanimasse.
De facto o espírito de camaradagem e a boa disposição reinaram sepre entre todos os participantes.
Em resumo, foi mais um grande evento OBETA !

 

Saudações radicais

         António Campos

(Texto adaptado por Paulo Mazzzetti)