Canoagem e caminhada nas Portas do Rodão

Relatório de Actividades:

No fim-de-semana de 22 e 23 de Setembro deslocarmo-nos á região de Vila Velha de Ródão para realizar um percurso de kayak na espectacular zona das Portas do Ródão.

O objectivo seria descer o rio começando perto da aldeia de Perais e terminando junto á barragem do Fratel.  Um percurso com mais de 30 km, planeado para fazer em 2 dias.
No 1º dia realizar-se-ia o troço entre Perais e a estação ferroviária do Fratel.
No 2 dia seria realizado o percurso restante.

O grupo

No sábado de manhã começamos por visitar a conhecida torre do rei Wamba, que fica situada num dos penhascos sobre o rio Tejo, perto de Vila Velha de Ródão. Este penhasco, juntamente com o seu “irmão” na outra margem do rio, constitui as chamadas “Portas do Ródão”, um acidente geológico de grande espectacularidade.

A torre medieval que visitamos, tinha na idade média funções de vigilância sobre o tráfego que cruzava o rio.
Em grande estado de degradação há uns anos atrás, sofreu recentemente obras de beneficiação que não só a recuperaram como a dotaram de um miradouro, do qual é possível apreciar uma fantástica vista sobre o Tejo e  toda a região circundante.
No nosso caso serviu também para ficarmos com uma perspectiva aérea das portas do Ródão, já que mais tarde nesse dia iríamos ficar igualmente com uma visão do mesmo local,  mas ao nível do rio, ao atravessarmos nos kayaks.

Depois desta visita ás Portas do Ródão deslocamo-nos então para Perais, para iniciar o nosso périplo. Ainda perdemos algum tempo com a logística envolvida no transporte e preparação dos kayaks mas ao fim de algumas horas já nos encontrávamos na água e prontos para a aventura!

O grupo

A descida em si decorreu sem qualquer problema.
Parámos algumas vezes durante o percurso para descansar e recuperar energias.
Também tivemos a oportunidade de observar diversas espécies de garças junto ao rio.

Já perto das portas do Ródão tivemos a oportunidade de observar também diversas aves de rapina e abutres.

Um ponto menos positivo nesta descida do rio Tejo foi o facto de termos encontrado em alguns troços grandes acumulações de algas verdes, que chegavam a cobrir quase totalmente a água e dificultavam o avanço dos kayaks. Explicaram-nos mais tarde que a existência dessas algas em tão grande abundância se devia ás altas temperaturas registadas no verão e á presença na água de fosfatos e outros compostos orgânicos que são usados na agricultura e que acabam por ser arrastados para o rio. De qualquer modo disseram-nos também que, com as primeiras grande chuvadas de Outono, toda aquela infestação biológica se dissiparia rapidamente. Esperemos realmente que sim!

A travessia das Portas do Ródão foi sem dúvida um dos momentos mais alto do percurso. Ver aqueles penhascos a agigantarem-se à nossa frente á media que deles nos aproximamos pelo rio é uma visão que não se esquece facilmente! Mas é só quando já estamos mesmo no meio deles é que nos apercebemos da dimensão daqueles penhascos!  Espectacular!

Após a travessia das Portas ainda continuamos a descer o rio até chegar á estação ferroviária do Fratel, que fica mesmo ao lado do rio, e que era o ponto previsto para a conclusão da 1ª etapa.

Após a recolha dos kayaks dirigimo-nos então para o local onde estávamos a pernoitar, a bonita vila de Mação, afim de tomar banho, mudar de roupa e ir jantar.

O grupo

Infelizmente no final deste 1º dia,  e após mais de 18 km feitos a descer o rio, o pessoal já não tinha coragem nem força para realizar mais um dia de canoagem, pelo que se teve que encontrar um programa alternativo para o 2º dia. O assunto foi bem debatido á mesa do jantar, no excelente restaurante Santa-Isabel em Abrantes.

Após uma boa discussão, bem regada com uns bons vinhos, decidimos como melhor alternativa a realização de um percurso pedestre. O itinerário escolhido foi o Trilho do Conhal, de aproximadamente 10 km de extensão.
Tendo como ponto central a aldeia de Arneiro este  trilho permite visitar os conhecidos “conhais”,  que não são mais do que grandes montes de seixos do rio, empilhados ao longo de vários anos devido á actividade de mineração desenvolvida nos tempos romanos e medievais na pesquisa de ouro. Parece que naqueles tempos o rio continha muitas pepitas devido á existência de alguns veios  auríferos na região. Algo que infelizmente já não sucede hoje em dia, já que os referidos veios foram explorados até à exaustão!

O grupo

No 2º dia realizamos então o referido passeio, o qual também decorreu sem problemas. Apenas o tempo não esteve tão bom como na véspera, já que ainda apanhamos alguns pequenos aguaceiros.

Um dos pontos fortes deste passeio foi a possibilidade de visitar igualmente o penhasco “irmão” daquele que tínhamos visitado na véspera.

A vista observada em nada era inferior á que se podia divisar daquele. Pelo contrário! Sendo mais abrupto a paisagem até se revelou mais ampla e espectacular!

Após a conclusão do trilho o grupo ainda almoçou num restaurante da aldeia de Arneiro, uma bela refeição de peixe do rio, tendo-se iniciado de seguida o regresso a casa.





Paulo Mazzetti (Outubro.2012)