Caminhadas no concelho de Gois

Relatório de Actividades feito por um dos participantes:

Em fim de semana prolongado, que se pensava ser solarengo, sete obetas foram até Góis com o objectivo de realizar algumas caminhadas de descoberta do rico património natural e cultural em que aquela região é rica.


1º dia (Sábado, 8 de Junho 2013)

O sábado acordou de nariz torcido, com algumas nuvens a assustar, mas não impedir, a actividade prevista. E ainda bem, pois o circuito é merecedor de visitas frequentes, não só pela beleza do mesmo, como para justificar o belo trabalho de balizagem, limpeza e montagem de cordas em pontos mais difíceis levado a cabo pela entidade responsável.
Só consideramos desnecessários os muitos bancos de madeira espalhados numa parte do trajecto (num determinado ponto contamos seis seguidos!), mobiliário esse que entendemos ser um desperdício, por utilização rara.
Até porque, se necessário, o chão também serve!

Abrigo

Tudo teria sido perfeito se, na segunda metade do trajecto, uma escorregadela não tivesse lesionado um dos participantes, dificultando-lhe a progressão no que restava e impedindo-o de caminhar nos dias subsequentes.

Neste primeiro dia, atravessámos ribeiros e riachos; cruzámos zonas de bosque denso, a fazer recordar, aqui e ali, algumas florestas tropicais; subimos duro, e descemos para a Fraga, atentos à pedra húmida.
Chegados a Pardieiros, já sob alguns chuviscos, demos ainda curto passeio pela medieval mata da Margaraça. Depois; regresso a casa felizes e contentes para agradabilíssimo jantar caseiro.


2º dia (Domingo, 9 de Junho 2013)

O segundo dia amanheceu carrancudo, cinzento, de nuvens tão baixas que se não viam os cimos dos montes ao lado.
Decisão difícil: fazer a cumeada (no patamar dos 1000m), percurso não marcado, sem visibilidade ou com muito pouca, quando os 200-300m estavam naquele estado? Ou dar uma volta pelas redondezas?
Abrigo
Acabamos por optar pela alternativa, a qual permitiu visitar alguns locais interessantes na região e fazer algumas pequenas incursões a pé em terrenos inexplorados e de travessia assaz complicada, nomeadamente aquela em que uma parte do grupo realizou junto da barragem de Sta Luzia, indo os condutores, circundando a albufeira e esperá-los ao final.

Infelizmente, no percurso seguinte que realizamos de automóvel no mesmo dia ligando Castanheira de Pera à Lousã através da serra e aldeias de xisto, o denso nevoeiro não só impediu de tirar partido das vistas, como nos fez chegar à Lousã já de sol posto!
Regressamos a casa, cansados e menos felizes e contentes que na véspera, o que não impediu outro agradável e caseiro jantar.


3º dia (Segunda, 10 de Junho 2013)

O dia de Camões acordou enevoado mas depois, lá abriu um pouco.
De tal sorte estava a manhã que se pensou estar o circuito escolhido para esse dia também sob nevoeiro.

Face à perspectiva de nada se fazer, confirmou-se então existir um percurso pedestre de ida e volta com uns 10km ao longo do rio Ceira.
Era o ideal, pois com uma duração prevista entre 2h30 a 3 h, esta caminhada permitir-nos-ia chegar cedo a Lisboa.
Saímos então seis de Góis (a lesão do sétimo elemento impedia estas aventuras!) e, pela sua margem, subimos o rio Ceira.

Abrigo

Descrever o percurso não é fácil. Diria somente que, aqui, o espelho das águas não delimitava o objecto da imagem; ali, o silêncio, que nem o diálogo avícola perturbava; além, as margens densas e as águas calmas a lembrar certas películas hollywoodescas (por exemplo “Apocallipse Now”) e certas florestas tropicais; mais à frente, curtas passagens a fazer tremer os (meus) joelhos, ora estreitas, ora subindo íngremes, ora descendo quase verticais.

Com o suor, em bica, a escorrer-nos pela cara, não só pelo esforço como, também, pela elevada humidade, avançava-se paulatinamente.
Já tínhamos meia hora de caminhada, calma, tranquila, com as paragens habituais para ir às boxes, fotografar, etc, quando, de repente, o trilho desaparece!
As perspectivas não eram animadoras. Tenta-se encontrar saída/continuação.
Uma das tentativas não dá resultado; a outra era atravessar um campo de silvas, e o que viesse a seguir.
O batedor Miguel, pau nas unhas, abre caminho; os restantes, em fila, seguem-no... mais lentos. De tal sorte que, quando os atrasados dão por ela, já o tinham perdido de vista…
Tenteando à esquerda e à direita, lá seguem por entre mato, e ervas, e fenos, e sei lá o quê; sobe-se por muros, escorrega-se por terras moles, trepa-se por ali acima; avança-se uns empurrando os outros.

Aqui e ali chama-se pelo desaparecido que, passado um tempo interminável nos aparece pela frente depois de ter explorado e descoberto a via de escape.
E, com isto, demorámos mais de meia hora para percorrer ... o quê... 200-250m?
Não sabíamos na altura, mas estávamos na vertical da aldeia de Carcavelos, que se nos depara após o último socalco.

Depois de breve descanso, foi seguir por estradão até à central eléctrica, onde chegámos com 2h30 de caminhada.
Demos então meia volta e regressámos a penates, uns pelo rio, este escriba pela estrada.

De papinho cheio, tomámos então banho, comemos alguma coisa e... ala que se faz tarde.
O regresso a Lisboa decorreu normalmente.

 

João Matos    (com pequenas adaptações do texto por P.M.)